Supostos Prejuízos.
Lojas fechadas.
Problemas com segurança.
E até uma possível saída de um dos sócios da operação.
Essas são algumas das manchetes que apareceram em torno da rede varejista Oxxo.
Mas, afinal de contas, o que realmente está acontecendo com a Oxxo?
É o fim da expansão acelerada da rede mexicana?
Nesse artigo, você vai entender a controversa situação da Oxxo e quais podem ser seus futuros caminhos.
Oxxo.
A rede mexicana trazida ao Brasil por meio de uma joint-venture entre a mexicana FEMSA e a brasileira Raízen, abriu centenas de lojas no Estado de São Paulo, com um modelo extremamente agressivo – com uma meta de abrir 5 mil lojas no país nos próximos anos.
Um plano que chamou a atenção do mercado varejista e que tem assustado o setor, já que foram abertas mais de 500 lojas em pouco mais de 3 anos. E isso, somente no Estado de São Paulo – o que gerou críticas, especulações e polêmicas.

E agora, a empresa está em meio a uma série de desafios que colocam em dúvida seu futuro.
Inicialmente com a promessa de lojas abertas 24 horas, a rede começou a ter sérios problemas com segurança em algumas regiões, e teve que delimitar o horário de algumas unidades.
Para completar, conforme trazido pela Istoé Dinheiro, na realidade, em virtude da troca de turno dos funcionários e os intervalos necessários, foi descrito que na verdade as lojas não ficavam 24 horas abertas, e sim 23 – já que uma hora de operação era perdida em razão do intervalo dos funcionários ao longo do dia.

Fatores que começaram a alterar parte dos planos da rede, e que indica que coloca em dúvida algumas das promessas da empresa.
Já do ponto de vista financeiro, a rede tem sua saúde colocada em xeque.
Com problemas e desafios tanto internos quanto externos. E que envolvem não só a economia, mas também a sociedade entre Raízen e FEMSA.
Conforme matéria da Invest News, a rede estaria sofrendo com prejuízos acumulados nos anos de 2022 e 2023, e provavelmente também no ano de 2024.

No exercício de março de 2021 a março de 2022, a rede registrou prejuízo de 25,35 milhões de reais.
Já no exercício de março de 2022 a março de 2023, a foram 165,7 milhões de reais de prejuízo.
Isso, porque, para oxigenar o crescimento acelerado, a rede estaria investindo agressivamente – a ponto de captar 300 milhões de reais através de Certificado de Recebíveis Imobiliários.
Operação que ajudou a Oxxo a abrir 207 lojas entre 2020 e 2023 – com média de abertura de 1 loja a cada 42 horas.
E os números com um todo têm sido ainda mais agressivos. Para o bem e para o mal.
Depois de anunciar a loja 500 em março desse ano, agora a rede anunciou que ultrapassou o número de 600 lojas no país.

E esse número torna a situação ainda mais complexa.
De um lado, a rede não para de crescer – mas de outro, tudo indica que ela está acumulando prejuízos. E a pergunta principal é – até onde a empresa pode suportar.
Inicialmente, o objetivo de gasto e crescimento indica uma correlação com outros negócios que queimaram muito dinheiro até chegarem a um ponto de dominância de mercado – para enfim atingirem a excelência operacional e o lucro efetivamente.
Um exemplo dessa estratégia de queimar caixa até se tornar uma liderança de mercado é a Amazon.

Criada em 1994, a empresa de Jeff Bezos operou no vermelho até o ano de 2001, quando enfim reportou lucro operacional. Ainda assim, nos anos seguintes, a empresa decidiu reinvestir o lucro operacional em novas frentes para crescer ainda mais e conquistar novos mercados.
Nessa linha, a ideia de crescimento mesmo que deficitário pode fazer sentido no longo prazo. Mas, existem alguns desafios que devem ser considerados.
Primeiro, há críticas de que o crescimento acelerado se torne rapidamente insustentável.
Isso, porque, o conceito das lojas Oxxo que suprem os mercadinhos de bairro pode encontrar rapidamente um teto e esbarrar também na concorrência com grandes redes varejistas – que inclusive tem investido não só em unidades tradicionais, como também em lojas menores para atenderem os bairros – como o caso da bandeira Carrefour Express. O que coloca no mercado também outro estilo de concorrência.
Da mesma forma, o crescimento acelerado pode ser uma estratégia interessante no curto prazo, mas pode não se pagar no longo prazo. E a rede já sofreu algumas baixas com unidades que tiveram que fechar as portas.
PARALELO COM A REDE DE SUPERMERCADOS DIA
Um ponto de alerta é a situação da rede Dia no país.

Depois de abrir 400 unidades em 5 anos, entre 2013 e 2018, a rede entrou em uma espiral negativa e acabou entrando em recuperação judicial no início desse ano.
E no caso do Dia, a operação tinha um modelo misto de capital próprio e capital dos franqueados, em algumas modalidades de lojas. Já no caso da Oxxo, o capital é da empresa ou proveniente de operações financeiras sofisticadas, como a já citada.
Além disso, é preciso considerar o momento da economia brasileira.
Se o cenário de 2025 repetir o cenário de 2016, assim como o ano de 2024 guardou semelhanças com o ano de 2015, é possível que haja uma retração no mercado de supermercados e afins.
A título de exemplo, em 2016, o setor registrou retração de 1,4% no volume de vendas, conforme dados da ABRAS, a associação brasileira de supermercados.
E se o cenário se repetir, a Oxxo pode ter dificuldades de sustentar o seu crescimento e seu caixa deficitário. O que colocam elementos que podem não ter sido precificados no plano inicial de expansão traçado em 2020.
O FATOR RAÍZEN
Não bastassem os problemas e desafios já citados, outro elemento pode mudar o direcionamento da Oxxo – a situação financeira da Raízen.

Enfrentando dificuldades, como já citado no vídeo anterior do canal, a Raízen passa por um momento delicado – e pode precisar de dinheiro em caixa para manter de pé as suas atividades essenciais.
Nesse caso, já é especulada uma possível a venda de sua participação acionária na joint-venture. O que pode trazer novos elementos para o plano de expansão da Oxxo – que pode ser a compra das ações pela FEMSA ou por um novo sócio. O que pode impactar o caixa da operação ou trazer novos direcionamentos.
Ou seja, além dos demais problemas, o projeto da Oxxo pode ser implodido pela necessidade de dinheiro da Raízen.
Logo, o futuro da Oxxo aparentemente parece mais incerto do que nunca…
E as especulações não param de aumentar…
Enquanto há dúvidas sobre sua sustentabilidade, a rede começa a testar novas formas de receita e propagação através de parceria estratégicas.
NOVAS FONTES DE RECEITA

A empresa celebrou acordos que fizeram com que até mesmo as fachadas das lojas fossem alteradas. Como foi o caso da parceria com a Heineken em São Paulo capital, Rexona em Guarulhos e Bauducco em Campinas.
Na parceria com a Heineken, a rede aproveitou a temática do automobilismo para chamar ainda mais atenção.
A rede também aposta em agregar valor a seus produtos com marcas próprias, como no caso do café Andatti, que é uma bandeira da própria rede que já está no mercado mexicano desde 2005.
Por enquanto, os números relativos ao período 2023-2024 ainda não foram divulgados, mas a receita líquida do Grupo Nós, que contempla a rede Oxxo e as lojas Shell Select indicam que a receita saltou de 281 milhões em 21/22 para 673 milhões em 23/24. Ou seja, além das lojas abertas, os números também multiplicam.
Porém, diante de todos os fatores e desafios, agora os próximos meses vão indicar qual é a real situação da Oxxo e se ela será capaz de lidar com os problemas e o desafio chamado Brasil.
Será que a empresa vai atingir as sonhadas 5 mil lojas nos próximos anos?
E você?
Acha que a Oxxo vai conseguir conquistar o Brasil? Ou o projeto foi grande demais?
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