O Brasil é o novo alvo da poderosa Blackrock.
Isso mesmo, a gigante financeira com mais de 10 trilhões de dólares sob custódia, agora quer conquistar o mercado brasileiro com um de seus principais produtos – previdência privada.

Conforme trazido pelo NeoFeed, a Blackrock quer replicar no Brasil o sucesso que possui em outros mercados quando o assunto são seus fundos de previdência e ganhar muito dinheiro com isso….
Nesse post, você vai entender como a Blackrock opera previdências mundo a fora e porque o Brasil é o seu novo alvo.
BlackRock.
A gigante financeira mais comentada do mundo se destacou ao longo dos anos ao oferecer uma carteira diversa de investimentos, com destaque para fundos que atraem os mais diversos tipos de clientes – que vão desde pessoas comuns, fundos de pensão, governos e outras roupagens jurídicas – que acreditam na capacidade da gestora de multiplicar o dinheiro investido ao longo dos anos.
Um de seus produtos mais famosos são os fundos de previdência privada, em que os clientes confiam seu dinheiro e seu futuro a BlackRock.
Com os recursos em mãos, a Blackrock investe nos mais diferentes setores e instrumentos que incluem: ações, títulos, imóveis, obras de infraestrutura, commodities e outros ativos. E o investidor pode resgatar esse dinheiro de diferentes maneiras, de acordo com o contrato firmado.
FUNDOS DE PREVIDÊNCIA PRIVADA
Geralmente, os contratos de previdência incluem aportes mensais e o investidor pode retirar o dinheiro depois de alguns anos – ou antes, com o pagamento de multa.
Em alguns casos, os governos concedem às previdências privadas alíquotas mais favoráveis aos ganhos de capital; principalmente por serem investimentos de longo prazo – o que torna esse investimento ainda mais atrativo para o investidor comum.
Por causa disso, a grande maioria dos clientes prefere manter o dinheiro nas mãos da gestora por muito anos. O que em teoria, dá mais poder e previsibilidade para a gigante.
Enquanto isso, a BlackRock pode ganhar dinheiro em várias frentes.
Primeiro, com taxas de administração, que são aquelas cobradas para gerir o fundo. E em alguns casos, ela também inclui uma taxa de performance, em que obtém ganhos percentuais em relação aos lucros que consegue.
São comuns também a cobrança de encargos futuros como taxas no momento em que o cliente quer retirar o todo ou parte do capital investido. Multas por quebra de contrato, e outras letras miúdas que também encorpam o caixa da empresa.
O que para um leigo pode parecer que são apenas pequenas porcentagens ou valores poucos expressivos, mas que representam uma grande diferença para o investidor de longo prazo – e que ao mesmo tempo é uma fonte de renda paga por milhões de clientes espalhados pelo mundo.
Graças a esses fatores, ao longo das décadas a BlackRock cresceu vertiginosamente o valor de ativos sob sua custódia e o tempo tem sido um de seus maiores aliados – já que quanto mais o tempo passa, mais ativos ela tem sob gestão, e mais ela fatura com taxas e tarifas.
Sem contar o fato de que com muitos recursos em mãos, a empresa possui poderes como acionista e passa a também ocupar assentos nos conselhos de administração de algumas das maiores empresas do planeta.

BLACKROCK NO BRASIL
Presente oficialmente no Brasil há 16 anos, a gestora de Larry Fink agora visa introduzir sua especialidade no mercado brasileiro, depois de se tornar uma grande referência em previdência privada nos Estados Unidos e na Europa.
A gigante vê no mercado brasileiro uma enorme oportunidade, especialmente pelas mudanças feitas nas regras previdenciárias, que passaram a vigorar neste ano – e que trazem mais flexibilidade as previdências privadas.
Para tanto, a BlackRock irá introduzir no mercado dois ETFs desenvolvidos em parceira com a Mio Vinci Partners – que irá garantir a roupagem de previdência privada para a operação.
ETFs são instrumentos negociados em bolsa de valores que visam agir como se fossem uma cesta de ativos em que um investidor pode comprar uma parte de um portfólio bastante diversificado, sem precisar comprar ações de cada um desses ativos individualmente.
ETFs DE PREVIDÊNCIA NO BRASIL

Dentre os dois novos instrumentos, um ETF está exposto 70% à bolsa brasileira, e o restante alocado em títulos de renda fixa, com foco no investidor comum.
Já o outro segue 100% o BOVA11, que é o ETF do índice Ibovespa – e tem como público alvo o chamado investidor qualificado, com investimentos acima de 1 milhão de reais.
A taxa de administração é de 0,35% ao ano.
E o objetivo das parceiras é ter 1 bilhão de reais administrados até o fim desse ano.
Na prática, o novo instrumento é visto como uma oportunidade de se investir em várias frentes com a roupagem de uma previdência privada – o que permite com que o investidor aposte em quantos fundos quiser, através do que foi chamado de fundo personalizado com casca de previdência.
REVOLUÇÃO NO MERCADO FINANCEIRO BRASILEIRO
Traduzindo grosseiramente, na nova modalidade o investidor vai ter a liberdade de investir em diferentes frentes, como se fosse um fundo comum; e ao mesmo tempo vai ter todos os benefícios de uma previdência privada. O que pode ser um grande atrativo para os investidores brasileiros.
A BlackRock Brasil acredita que inicialmente poderá atingir os investidores de alta renda, que compõem as chamadas grandes fortunas – que procuram alternativas que possam gerar menos incidência de impostos ao longo dos anos.
Hoje, o mercado de previdência privada brasileiro atende 17 milhões de brasileiros, cerca de 8% da população do país.
E a BlackRock aposta em uma mudança na mentalidade do investidor brasileiro a partir do próximo mês – quando entra em vigor uma nova legislação que obrigará as assessorias de investimento a mostrarem toda a cadeia de remuneração das operações que fazem.
Na prática, isso significa que com a nova lei, as assessorias deverão deixar explícito onde e como são remuneradas – o que pode expor o que é hoje um dos principais motores de receita desse seguimento – que são as comissões pagas por produtos financeiros que são vendidos para os clientes de uma assessoria.
Esse modelo de negócio, chamado de ‘’fee based’’, pode ser bastante afetado – uma vez que os clientes após entenderem o que realmente estão pagando ou deixando de ganhar, podem optar por alternativas que lhe pareçam mais vantajosas.
E é nesse momento, que a gestora acredita que o mercado de ETFs pode ser fortalecido; já que, segundo ela, esse tipo de instrumento não paga comissão para os assessores. E como o investimento possui menos custos agregados, o setor pode ter uma maior adesão.
Ou seja, por enquanto, a Blackrock parece ter encontrado um oceano azul pronto para ser explorado dentro do mercado brasileiro. E se a empresa já tinha influencia sobre o mercado local, esse poder pode se tornar muito maior daqui em diante.
E você, acha que a Blackrock está certa em apostar no mercado brasileiro?
Você investiria seu dinheiro com eles?
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