A PIRÂMIDE FINANCEIRA BILIONÁRIA QUE SE DISFARÇOU DE AGRONEGÓCIO

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Essas são algumas das promessas de altos ganhos mais recentes do mercado. E que ainda levam milhares de pessoas a perderem as economias de toda uma vida.

Porém, bem antes de se falar nessas modalidades, o Brasil conheceu um esquema que envolveu mais de 1 bilhão de reais.

A Avestruz Master.

Nesse post, você vai entender como a Avestruz Master se tornou um dos maiores esquemas financeiros do Brasil, e como se prevenir contra esse tipo de golpe.

Você já pensou em investir na criação de Avestruzes?

Isso mesmo. A simpática Ave que tem uma carne extremamente valorizada.

E se eu te dissesse que você pode investir em um negócio que conta com 40 fazendas e que realiza todo o processo de criação, abate e comercialização?

E que você pode investir quantias pequenas e ter um retorno de até 10% por mês sobre o capital investido?  Um retorno muito acima dos investimentos disponíveis no mercado.

Essas foram as promessas da Avestruz Master.

Uma empresa que no final dos anos 90 se tornou extremamente popular no Brasil, com propagandas espalhadas nas principais mídias do país.

E que nos primeiros anos da década de 2000 reuniu simultaneamente mais de 50 mil investidores, que acreditaram no negócio que prometia dividir os lucros que obtinha com a compra e venda de filhotes de avestruz, bem como do comércio da carne, das penas e do couro dos animais adultos.

Com propagandas espalhadas até mesmo na televisão aberta, a empreitada conquistou ao longo de sete anos de operação mais de 50 mil investidores espalhados pelo Brasil, sendo 30 mil deles apenas no estado de Goiás.

Na operação, os investidores compravam cédulas de crédito rural ou contratos de investimento emitidos pela Avestruz Master, que supostamente faziam parte de um negócio de captação de recursos para a cultura de avestruzes. E ao comprarem esses títulos, os investidores receberiam mensalmente juros sobre o capital investido, com retornos superiores a 10% ao mês.

Além disso, era possível investir em filhotes de avestruz que seriam futuramente vendidos, com um valor mínimo garantido.

Promessas que cresceram os olhos de milhares de pessoas, e que se tornou um negócio nacional. E que chegou a movimentar mais de 1 bilhão de reais, em valores da época, com um patrimônio que incluíam 40 fazendas.

Para o público em geral, nos primeiros anos, o negócio era maravilhoso.

Para aqueles que investiram ao longo dos anos, tudo parecia mágico – e quem lucrava alguma coisa rapidamente, logo chamava amigos e familiares para fazerem parte daquilo.

Afinal de contas, até certo ponto o negócio pagava juros mensais expressivos. Mas, o capital total investido continuava nos cofres da empresa, e os investidores tinham acesso a apenas ao rendimento.

À primeira vista pode parecer que era um excelente negócio, especialmente para aqueles que entraram no início do esquema.

Isso, porque, com retornos mensais de 10% sobre o capital investido, era possível recuperar todo o dinheiro investido em menos de um ano.

O problema é que é aí que entra o fator ganância.

Uma vez que mesmo recebendo integralmente o valor investido, a tendência é que os investidores não apenas reinvestissem o dinheiro que receberam, como também colocassem mais dinheiro – já que se tratava de uma oportunidade única.

E até realocavam outros investimentos com retorno menor, na oportunidade que parecia ser a Avestruz Master.

E no entorno dos investidores, amigos e familiares que viam seus entes queridos ganhando muito dinheiro, também aderiam ao negócio, com o medo de perderem a grande oportunidade financeira da vida.

Resultado – o valor investido junto a Avestruz Master só aumentava…. aumentava… e aumentava…

O problema é que mesmo crescendo em números expressivos ano após ano, a empreitada esbarrou em uma burocracia, que fez com que ela fosse investigada pelo Ministério Público – uma vez que a empresa estava vendendo títulos mobiliários sem autorização legal.

MINISTÉRIO PÚBLICO DESCOBRE O ESQUEMA

Esse pequeno problema, desenrolou uma série uma série de inconsistências e mentiras, que fizeram com que o Ministério Público descobrisse que todo aquele império estava construído em cima de mentiras.

A maior delas: nenhuma ave foi abatida ao longo dos anos.

E mesmo após espalhar que havia abatido mais de 600 mil aves no país; na verdade, a empresa não tinha abatido nenhuma. E no total, as fazendas da empresa tinham apenas 38 mil aves. Todas vivas. E que provavelmente estavam sendo usadas para se multiplicação, para que fosse possível continuar vendendo a ilusão.

Na realidade, tudo era apenas aparência – criada pelo investimento ao longo dos anos de cerca de 4 milhões de reais em publicidade – em valores da época.

E a brincadeira era boa demais para ser verdade.

Na realidade, no esquema os sócios da Avestruz Master estavam usando o dinheiro dos investidores como capital de giro para atraírem novos investidores e honrarem provisoriamente os investidores que com eles já estavam.

E temporariamente, aqueles que investiam de fato recebiam o retorno prometido. E assim se criava a sensação de que era um jogo de ganho fácil, em que a cada mês mais e mais pessoas investiam no negócio. E aquelas pessoas que entraram pagavam o lucro das pessoas que já estavam no negócio.

E assim, a pirâmide financeira acontecia. Já que o investidor antigo era pago com o capital do investidor novo. E aquele que entrasse precisaria que depois outro novo investidor entrasse também.

Só para isso bastava que no primeiro mês, o investidor recebesse o dinheiro, para convencer outra pessoa a também se juntar ao negócio que na teoria pagava bem, fácil e rápido.

Uma promessa quase irresistível.

O problema é que em algum momento, se houvesse uma falha na cadeia de dinheiro, o esquema ruiria por completo.

E bastou o questionamento do Ministério Público para que o esquema ruísse….

FALÊNCIA DA AVESTRUZ MASTER

Acuados pelas investigações, no ano de 2005, os donos da Avestruz Master não conseguiram comprovar que se tratava de um negócio idôneo.

E no ano seguinte, após o cerco das investigações, a justiça declarou a falência do negócio.

Só que naquele momento, todos os investidores que ainda tinham dinheiro investido no negócio, foram pegos de surpresa. E assim perderam o que haviam investido.

Na prática, a Avestruz Master atuava como uma instituição financeira. Mas sem regulamentação, a empresa operava de forma ilegal e sem qualquer fiscalização.

E durante os sete anos de operação, não houve intervenção das autoridades no negócio, que somente viu a mão do Estado quando o MP questionou a legalidade da empreitada.

O negócio era de uma família, e estavam envolvidos o pai, dois de seus filhos e um genro. Um deles até fugiu para o Paraguai para tentar escapar da Justiça.

Em 2010, a Justiça Federal condenou os dois filhos e o genro a penas que somadas chegavam a 38 anos de prisão, e o dever de indenizar os investidores no montante de 100 milhões de reais.

Já o dono da empresa, Jerson Maciel da Silva, morreu dois anos depois, vítima de um câncer no fígado.

Porém, em 2013, foi removida a obrigação de indenizar os investidores do esquema.

Mesmo sem o trecho da decisão, é importante mencionar que existe um entendimento de que como se tratava de um esquema nitidamente com retornos muito acima do mercado, os investidores em teoria automaticamente já sabiam do risco que estavam correndo.

Ainda assim, a Avestruz Master deixou também dívidas com fornecedores, funcionários e com a Fazenda Pública Nacional. E para honrar esses compromissos, foram leiloados os bens em nome da empresa – que não foram suficientes para pagar o valor total das dívidas.

Segundo a UOL, foi proferida uma nova sentença em 2019, condenando apenas três pessoas pelo esquema que configurou crime contra a economia popular.

Foram condenados – Jerson Maciel da Silva Júnior a seis anos de prisão e 120 dias-multa; Patrícia Áurea da Silva Maciel a seis anos de prisão e 120 dias-multa e Emerson Ramos Correa a cinco anos de prisão e 36 dias-multa.

No total, estima-se que o esquema gerou um prejuízo de mais de 1 bilhão de reais para a economia popular e movimentou diversos processos em seis estados da federação.

E mesmo depois de toda a controvérsia, os investidores ficaram totalmente desamparados; já que além do entendimento de que os sócios não tinham o dever de indenizar, não foram encontrados bens suficientes para pagar o rombo…

E ao final, a história deixa algumas lições.

FUJA DAS PIRÂMIDES FINANCEIRAS

Desconfie de toda e qualquer promessa de dinheiro fácil. Especialmente de rendimentos muito acima do mercado, e da taxa SELIC.

Desconfie de toda e qualquer oportunidade que oferece dinheiro rápido, sem esforço ou trabalho envolvido.

Além disso, quando for investir em produtos financeiros, verifique o CNPJ da instituição na Receita Federal e se a atividade dela está de acordo com os parâmetros da ANBIMA ou do Banco Central, e se ela tem cadastro na Comissão de Valores Mobiliários.

E lembre-se, muito cuidado com a Ganância.

Ela faz pessoas inteligentes acharem que não podem perder.

E você acha que existem outras pirâmides financeiras atuando no Brasil?

Compartilhe com a gente a sua opinião nos comentários.

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